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Cartolas e Cartolas
 

Cartolas da bola

 

Um assunto que além de exigir extrema reflexão exige também muita habilidade para se envolver com um tema que prejulgo delicado.

Como tudo na vida, há preceitos e fundamentos que norteiam a atividade de um indivíduo na sociedade onde, ou por excesso de confiança ou mesmo por negligência, uma grande maioria se deixa levar pelo meio e acaba se envolvendo no seu final.

Julgamentos prematuros muita vezes precipitam condenações indevidas sem a discussão do seu mérito. Pratica esta muito comum por parte da imprensa que invarialvelmente desconhece a importância do seu papel e, conseqüentemente, acaba extrapolando nas suas considerações. Partindo do  pressuposto é que defino a situação de muitos cartolas nesse aloucado bastidores do futebol.

E para reforçar ainda mais este raciocínio, exponho abaixo trecho do acórdão do Min. Marco Aurélio Mello, do STF, por ocasião do habeas corpus de Salvatore Cacciola, aquele do Banco Marka.
IMPORTANTE CONSIDERAÇÃO SOBRE AS EXTRAPOLAÇÕES DA IMPRENSA
Segue trecho do voto:

“Ninguém desconhece a necessidade de adoção do rigor no campo da definição de responsabilidade, mormente quando em jogo interesses públicos da maior envergadura no levantamento de dados, no acompanhamento dos fatos, no esclarecimento da população, importante é o papel exercido pela imprensa. Todavia, há de se fazer presente advertência de Joaquim Falcão, veiculada sob o título “A imprensa e a Justiça” no Jornal O Globo de seis de Junho de 1993:

Ser o que não se é, é errado. Imprensa não é justiça. Essa relação é um remendo. Um desvio Institucional. Jornal não é fórum. Repórter não é juiz. Nem editor é desembargador. E quando, por acaso, acreditam ser, transformam a dignidade da informação na arrogância da autoridade que não têm. Não raramente, hoje, alguns jornais, ao divulgarem a denúncia alheia, acusam sem apurar. Processam sem ouvir. Colocam o réu, sem defesa, na prisão da opinião pública. Enfim, condenam sem julgar."

Partindo dessa premissa, citarei abaixo uma pesquisa realizada pelo jornalista João Paulo Charleaux, do jornal O Estadão, que através de um caso concreto define o prejulgamento de um cartola, e demonstra toda a veracidade de um fato.

O seu tema é: “Nem ficha limpa absolve um cartola

Há 13 anos, o Santos era um time de passado e pouco futuro. A Vila Belmiro, uma caixa de areia onde se jogava à luz de velas. Mas em 1995 um cartola plantou as sementes de Diego e Robinho, reergueu o patrimônio do clube e mudou os rumos do Santos. Como prêmio, foi parar na CPI do Futebol. O cartola Abdul-Hak nunca foi condenado, mas não se sente absolvido.

Santos (SP) — Quem vai à Vila Belmiro vê, à direita do placar, uma arquibancada tomada por cadeiras cobertas; são as "sociais". Protegidas do sol e da chuva, elas contrastam com o duro concreto que a massa ocupa. A coisa é requintada: fileiras brancas e negras com escudo do clube, encimado pelo nome do proprietário. São os melhore lugares da casa. Mesmo assim, há oito anos o sócio n° 13.840 não aparece. Ninguém ocupa a cadeira de "Samir Jorge Abdul-Hak". Ele deu aos jovens torcedores o gosto do triunfo e agora vive em exílio voluntário. Entre 1994 e 1999, ele ocupou o trono de presidente. Mas o cartola foi do topo ao fundo do poço em pouco tempo. Trocou Mercedes- Benz e guarda-costas privados por escândalos, tribunais e CPIs. O curioso é que, passadas as lutas renhidas, não se acha nenhuma condenação contra ele. Afinal, ele é culpado ou inocente?

Testemunhas de Giovanni

Em 1995, início da primeira gestão de Abdul-Hak no Santos, o meia Giovanni, camisa 10, puxava a campanha que levaria o time ao vice-campeonato brasileiro. Na final, o Peixe perdeu para o Botafogo. A arbitragem é até hoje questionada.

Antes disso, o time da Vila Belmiro já tinha atropelado o Fluminense na semifinal, vencendo por 5x2 nos últimos minutos de um jogo que exigia exatamente três gols de diferença para a classificação.

O Santos pode não ter vencido, mas convenceu. Todos sabiam que o time estava de volta ao grupo dos grandes, depois de 24 anos. A campanha de 1995 foi um divisor de águas e a partida contra o Fluminense é para muitos torcedores, especialmente os mais jovens, uma das recordações mais emocionantes.

Os recaídos de 1995 também foram lucrativos para o Santos. A venda de Giovanni para o Barcelona por R$ 8 milhões, ou o mesmo valor em dólares, já que as moedas se equiparavam nessa época, foi a maior transação financeira da história do futebol até então.

O meia tinha sido trazido à Vila por empréstimo, vindo do desconhecido Tuna Luso, do Pará. Para vencer os concorrentes na corrida pelo passe definitivo do jogador, o Santos, sem dinheiro em caixa, teve de recorrer a uma vaquinha, para a qual o próprio Pelé contribuiu com metade do valor. O Rei era o braço direito do presidente e não se furtava a entrar em ação.

Maracutaias S/A

A origem do dinheiro usado para a compra de Giovanni, o maior jogador do Santos nos anos 1990, é ainda hoje envolto em brumas. Segundo Hélio Viana, sócio de 40% das ações da empresa Pelé Sports & Marketing Ltda., os R$ 150 mil inteirados pelo Rei para a compra do meia teriam vindo do UNICEF, que contratou e pagou US$ 700 mil a Pelé pela realização de um jogo beneficente nunca realizado.

Giovanni foi vice-campeão brasileiro pelo Santos em 1995 e artilheiro do Campeonato Paulista de 1996, transformando-se no único grande ídolo do Peixe no longo hiato que separou a primeira da segunda geração de "Meninos da Vila".

 Na sua venda, o Santos lucrou 17 vezes mais do que tinha aplicado, ganhando um rendimento de incríveis 1.800%. Com o dinheiro, o clube realizou reformas no estádio Urbano Caldeira, a Vila Belmiro, cujo gramado irregular, a ausência de drenagem e irrigação, além da iluminação precária enfraqueciam os argumentos do mais fiel torcedor santista. As arquibancadas foram ampliadas em quatro mil lugares e, perto dali, o Santos construiu o Centro de Treinamento Rei Pelé.

 Foi este mesmo Centro de Treinamento e a política de investimento no garimpo dos "pratas-da-casa" que fizeram surgir a safra de Robinho, Diego e companhia.

"Essa geração do Robinho caiu no colo do Teixeira (Marcelo Teixeira, presidente do Santos), mas foi preparada pelo Samir", diz Fábio Gonzales, presidente da ONG Resgate Santista, hoje a voz mais forte na oposição. "Me lembro do Pelé treinando as equipes de base às terças-feiras, no Centro de Treinamento, por UM salário simbólico. Ele era motivo de chacota, mas o futuro mostrou que o projeto correto era esse mesmo".

 Apesar dos triunfos, o time dos Meninos da Vila seria inevitavelmente desmantelado e os valores ganhos nas transações, perdidos sem que se saiba exatamente em que, já que o clube acumula hoje urna divida de pelo menos R$ 67 milhões, segundo membros do Conselho Fiscal, apesar da arrecadação milionária com a venda de Robinho para o Real Madrid por R$ 90 milhões.

 Mas no fim dos anos 1990, o Santos ainda parecia navegar com certa destreza em meio às turbulências do futebol brasileiro, reforçando seu patrimônio e investindo nas divisões de base, capazes de converter jovens talentos em pequenas fortunas. Essa foi a chamada "política pés no chão".

Cartola anda sumido da Vila Belmiro

Muitos santistas se perguntam por que então, com tantos méritos, o ex-presidente Abdul-Hak não volta às cadeiras cativas da Vila Belmiro. Nem a triste campanha no Campeonato Brasileiro deste ano o time ocupa as últimas posições com o pior rendimento de todos os tempos — animou Abdul-Hak a ensaiar uma volta. O filho, de 15 anos, preferia desfilar pela Vila em dia de jogo ao lado do pai, mas esse privilégio ele nunca teve.

"Nunca mais", ele diz. "Só quando tudo estiver resolvido". O "tudo" a que o cartola se refere beira a paranóia já que nenhum tribunal do país registra processos contra ele. Abdul-Hak sofreu pressões imensas no fim da gestão e parece nunca ter se recuperado dessas batalhas carnívoras da política.

Hoje, ele assiste hoje aos jogos do Santos pela TV e durante a semana, acompanha as notícias do seu time do coração apenas pelo rádio. O advogado Samir de dedica à tentativa frustrada de tornar a vida mais parecida possível com o que ela era antes de sua aventura como cartola ter começado.

Tem sido difícil, a começar pelos amigos que perdeu, entre eles, Pelé, com quem mantinha uma amizade de mais de 40 anos. Os negócios também minguaram depois da passagem pela presidência do Santos. Embora o escritório continue o mesmo, a carteira de clientes se esvaziou durante os quatro anos em que Abdul-Hak esteve ausente.

O cartola beija a lona da CPI do Futebol

No apagar das luzes de sua gestão, Abdul-Hak percebia a tormenta que se anunciava. •0 balanço contábil do Santos Futebol Clube entregue ao Conselho Deliberativo não fora aprovado e a Comissão Fiscal abrira sindicância contra o ex-presidente. A política entrava em campo e o jogo catimbado da sucessão à presidência tomava o lugar dos gols e das glórias passadas. Nuvens negras se adensavam sobre a Vila Belmiro.

Naquele ano, o clube santista contratou uma auditoria independente, a Deloitte Touch Tormatsu, que detectou diversas irregularidades na gestão de Abdul-Hak. Os problemas iam de pagamentos vultosos ao clube Jabaquara, "O Leão da Caneleira", até o desaparecimento de R$ 40 mil, mal guardados em uma gaveta de escritório. O ex-presidente também era acusado de ter usado dinheiro do Santos para fins pessoais e de ter pago R$ 200 mil ao jogador Viola, fora do que estipulava o contrato. Até uma bicicleta do clube, roubada por um funcionário, era debitada do saco de culpas de Abdul-Hak. Os anos de glória pareciam distantes.

Na virada do século, Marcelo Teixeira ganhou as eleições no Santos e assumiu acusando o antecessor de deixar um rombo de R$ 30 milhões em cinco anos, divididos entre dívidas com o INSS e o FGTS, além de fornecedores, ex-jogadores e ex-técnicos.

 Abdul-Hak negava na época e segue negando as acusações do sucessor, que ironicamente, hoje deve o dobro, embora "só" reconheça um rombo de R$ 41 milhões. Era o fim de uma Era na Vila Belmiro.

Apesar do estrondo da instalação da CPI do Futebol, em 2001, e da cobertura exaustiva dos meios de comunicação de todo o país, o ex-cartola santista não foi um dos 17 processados pela Justiça por recomendação da CPI. Ao contrário, ele hoje move três processos no Tribunal de Justiça de São Paulo contra o Santos. O clube recorre repetidamente e a decisão final custa sair.

 "Eu não temo nada disso", diz com ar triste. "O que me incomoda é não ter contra mim nenhuma acusação na Justiça. Não tenho de que me defender". A impressão é confirmada pelo presidente da ONG Resgate Santista: "Ele não foi apontado como culpado de nada, mas ficou essa sensação de ineficiência no final da gestão. Ele foi vítima de uma perseguição política desleal, isso sim".

O senador Álvaro Dias (DEM), na época presidente da CPI do Futebol diz que "as pessoas acusadas tiveram ampla oportunidade de defesa e as que eram realmente inocentes saíram da CPI com um atestado de boa conduta e só cresceram em matéria de conceito". Abdul-Hak não foi um deles e, embora nunca tenha sido declarado culpado, ficou num limbo, perdido entre o bem e o mal.

 Quando o martelo bater, o ex-cartola diz que voltará a ver os jogos do Santos em companhia do filho, sentado em sua cadeira, sem temer que alguém se levante na fileira acima e lhe atire qualquer coisa com o peso insustentável de uma acusação sem resposta.
 Ele espera por esse dia, imaginando como o Santos se lembrará do seu nome depois que tudo tenha acabado. Enquanto isso não acontece, as silenciosas cadeiras sociais da Vila Belmiro terão um torcedor a menos.

Abraços do Gigi

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