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  Gigi Carlos Alberto Mano Prieto - ( Gigi)

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Boca Bendita
  “Está na hora, e a turma lá fora está impaciente para pegar o bonde e ir para as bocas. Portanto, lá vou eu de reboque que é mais barato”.
Vida noturna santista

Hoje, encontrando diversos amigos da antiga, suas lembranças me induziram a resgatar um pouco da história da vida noturna do passado de Santos.
 
Um fato interessante me lembrou o amigo Hélio Nascimento, ex-presidente da CODESP, desde garoto também um freqüentador assíduo daquelas noites encantadas. Ele disse que num determinado tempo pressentiu o final das bocas, devido à automação nos processos de embarque e desembarque de mercadorias no porto, isto porque, com o advento do transporte de cargas através de contêineres, essas operações foram agilizadas e, conseqüentemente, diminuiu muito o tempo de permanência dos navios no cais. Hélio Nascimento
Antigamente o navio ficava atracado por mais ou menos dez dias. Com isso, os embarcadiços ficavam perambulando pela cidade, o que incrementava o comércio. Quem vai se lembrar bem disto, além dos bares e restaurantes, serão as prostitutas e os taxistas que viviam com os bolsos recheados de dólares.
  Tony Longobardi Muitos artistas famosos desfilaram pelas nossas bocas, como Caubi Peixoto, Orlando Silva e Ângela Maria, e havia até mesmo shows internacionais, como o de Bill Halley e seus Cometas, lembrou Tony Longobardi, fazendo com que as “socialites” as freqüentassem, dando um toque de “glamour” à boemia santista.
  Mil causos pitorescos aconteciam, proporcionados pelos mais "duros", rememorou Lambreta. Qual dos moleques que, vivendo à míngua de precária mesada, não ia buscar reforço nas "caixas" daqueles rapazes alegres que marcaram a vida de nossas bocas e ora os homenageio:  Carlan, Tony Star, Lamouche, Carioca e  Zequinha. E os mais espertos, devido à sua "malandragem", voltavam para casa de táxi ou no primeiro carro do bonde. Lambreta

Mas não sem antes comer o sanduíche do Bolão na porta do Samba Danças, picotar um cartãozinho e dar um abraço no Nego Orlando, o mais famoso leão de chácara de Santos, tão querido por todos e especialmente por seu amor, Paulina, portenha legítima, que inscreveu na lápide da campa do amado: “Mi querido negrito”. E também  assistir ao nosso Fred Astaire, que era o Pescadinha, com as suas incomparáveis firulas no salão. Não se esquecendo também de Lourinho, Zeca Diabo, Nego Wilson, Pedro Grilo, Mazica Jacaré, Rivaldo, Valdir Ferrugem, Peixinho, Edi, Maria Luiza, Maria Inês, Elenira, Dalva, Marilda, e Sarará que, certa vez, convidou Ponce de Leon, ,aquele que além de bom jogador de futebol era também um excelente “pé de valsa”,  todos maravilhosos dançarinos.

Ainda brilham na minha memória os letreiros luminosos dos antigos cabarés: El Moroco, Casablanca, Flamingo, Night and Day, Vagalume, Île de France, ABC House, Scandinavian, Zanzibar, Swomi... Gostaria de lembrar e homenagear aqueles que foram os verdadeiros donos da noite santista: Oscar Guerra (Love Story), Manoel Gil Camarata (Fugitivo), Aurélio (ABC House), Zequinha (Samba Danças), Lopes (Boneca), Julinho, Gildo Gióia e tantos outros. Também não posso esquecer do meu amigo Cabral Júnior e seus Cubancheros, que também alegravam os bailes dos clubes sociais.

Nossa boca era tão rica e bem freqüentada que para aqui vieram mulheres do todo canto do mundo: francesas, polacas, argentinas, enfim, uma gama de gatas de primeira linha, que ousavam as peripécias da arte do sexo, de fazer inveja às nossas brasileiras que eram mais recatadas e inexperientes.

  Teixeirinha Segundo Teixeirinha, voz abalizada no tema, quem não escalou os degraus da Rua General Câmara 275, na casa da Ivone, e quem não se realizou no “pavilhão azul” da Brás Cubas? E quem, contou o Amílcar, não freqüentou a “casa da piscina”, onde os mais entusiasmados acabavam caindo no tanque de água de terno e gravata? Sergio Bola
 
Bezzi Não poderia deixar de citar aqueles pais mais preocupados com a iniciação de seus filhos machos no jogo da “definição”, no qual proporcionavam o “batismo dos 15”, no sofisticado ambiente do “411”, ou no porta fechada da Antonio Bento, conforme me revelou um estreante da época, o Sérgio Bola. No fim, todos acabavam se deleitando no colo de suas preferidas. O duro, na época, me confidenciou Bezzi, então tenente do exército, era dar uma batida atrás dos “recos ‘e ter que ignorar as "recas”“.       
 

Mauricó narrou um fato inovador que agitou a boca por um bom tempo. Foi quando surgiu a primeira mulher de origem asiática a dar serviço” na casa da Ivone. Filas e mais filas se formavam para confirmar a lenda sobre a “dita cuja” – se ela era vertical ou horizontal !!

Qualquer dia pretendo discorrer sobre o porquê da existência das chamadas zonas de meretrício. Teriam surgido por questão de ordem moral, problema de natureza econômica ou cultural ? E por que minguaram com o passar do tempo? Teria sido porque “as senhoras esposas” já ousavam em seu leito conjugal os jogos do “kama sutra”? 

Mauricó
  Maneco Outras recordações se fizeram presentes pelas lembranças do Maneco e o Pepeu. O pessoal da estiva e das docas, nos seus horários de folga no trabalho, freqüentava a Rua João Guerra com a João Alfredo, onde havia uma espécie de ramal das bocas com os bares Europa, Londres, Liberty, Snack Bar, Seven Sea, Rotterdan. Também relembraram da famosa lingüiça do bar do Jesus, que dava forças para agüentar o trampo, que era pesado. Pepeu
Dráuzio Luiz Recordou ainda Dráuzio Luiz, quase chorando, do caldo verde do Café d'Oeste, da sopa de feijão do Chave de Ouro, do bacalhau do Galo de Ouro, da canja do Bar do Almeida, dos pastéis do seu Aprígio no bar do “Pau que Chora”; isso tudo depois do baile do Nacional, que se realizava na parte superior do Coliseu, do baile da Humanitária, do baile das Misses todas às quintas-feiras, dos bailes da  SMTC, do Senador Feijó, do Milionários, da Sociedade Italiana e do sambão do Drauzio, no Cine D.Pedro, lá na Rua Campos Melo. 
 

Ainda em tempo, me lembrou Hélio Nascimento de algo verdadeiramente inusitado: da existência da DIP – Departamento de Imprensa e Propaganda, que obrigava todos esses estabelecimentos a exibirem uma foto do Presidente Getúlio Vargas e, que invariavelmente, se acompanhava de um quadro de São Jorge com lamparina e tudo.

Meus amigos, há momentos e momentos e tudo segue no seu tempo. A revitalização do Centro poderá trazer uma nova era, com novos conceitos na vida noturna da cidade, e com certeza serão vividos com intensidade por novas gerações.

No entanto... Ah, que saudade daquele meu tempo!

Abraços do Gigi

Galeria de fotos antigas de Santos (clique na foto para ampliar)
  ABC House Vida Noturna Santista Boneca Chave de Ouro, La Barca e outros Restaurante Chave de Ouro Samba Danças
Cine D. Pedro Coliseu Coliseu Fugitive Humanitária Las Vegas
Love Story Love Story Love Story My Love Restaurante Almeida Bondes restaurados
  Fonte: Novo Milênio
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